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Mestre
Bimba ]
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Nos idos de 1968/69,
um acontecimento inusitado ocorreu causando um reboliço em nossa
rotina diária de aulas do Centro de Cultura Física Regional,
a Academia do Dr. Bimba |
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O
segundo acrescentaria que o colega havia brigado contra três adversários
e os havia levado juntamente com ele próprio muito machucado para o pronto-socorro,
o terceiro já relacionava cinco indivíduos muito quebrados e todos
na enfermaria do hospital, e dai pra frente cada um que chegava contava o quebra-quebra
que havia acontecia no tal bar, cadeiras e mesas voando, gente saindo pelas
janelas, portas arrombadas, prateleiras derrubadas. Um caos. No final da aula
as notícias já davam conta de uma enfermaria só para as
vítimas do entrevêro.
Mas um outro fato naquele momento nos chamava atenção, o nosso
Mestre Bimba não havia pronunciado nem uma só palavra sobre os
tão eloqüentes, sobre a briga do nosso herói. Não
só não se pronunciara como também parecia que fazia questão
de não os ouvir.
Bem, a aula terminou. Nos dias subsequentes as notícias continuaram correndo
e como sempre acontece, com os dias passando, o povo vai tratando de trazer
um esquecimento às coisas. E assim passados mais ou menos 15/20 dias
com incidente já quase totalmente esquecido o grande herói reaparece
na Academia, ainda com um braço numa tipóia e a cabeça
enfaixada:
- Boa noite Mestre
- Boa noite meu filho, o que foi isso? O que aconteceu?
- Ah Mestre! Nada não, foi só uma briguinha num bar, uns três
cara mexeram com minha namorada e eu tive que brigar, não foi mole não,
quebramos todo o bar, mesas e cadeiras voaram, até uma tranca de ferro
de uma porta eles arrancaram e vieram para cima de min, fomos parar todos no
hospital, agora já estou bom.
Neste momento seu Bimba interrompeu o relato do aluno e firmemente perguntou-lhe;
você não disse a ninguém que era aluno de Bimba, não
me fez passar esta vergonha, e virando-se para a turma toda que nesta altura
já estava reunida em volta deles dois disse-nos:
- Eu falei que aqui ninguém é super-homem, que respeitem seus
limites, que quando o adversário for mais forte ou estiver em posição
de vantagem não o enfrente, procure o momento adequado para ir a forra
da desfeita pela qual passou, não quero aluno meu apanhando de ninguém.
Dito isto retornou à sua competente aula de capoeira e o assunto morreu
ali para sempre. Era assim o nosso grande Mestre, pouco eloqüente quando
o assunto era sério, porém muito firme nas suas posições
e ensinamentos e todos nós aprendíamos as lições.
Todos
os Direitos Reservados. Mestre
Bimba.hpg.com.br. 2002
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Web Master: Rodrigo
Vieira Eufrasio da Silva ]
[ Dedicatória:
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